[Projeto Feridas] Descaso na infra-estrutura

Ao caminhar pela Av. Koshum Takara, gentilmente apelidada de avenida nova pelos moradores do bairro da Vila Bela Vista, podemos notar a falta de alinhamento entre os interesses da população e o dos gestores publicos.

Terminada em 2008, após a expulsão de familias que ocupavam o local havia já 8 anos, ela hoje voltou a agenda dos burocratas e passa por diversas obras que fazem parte do “esforço para a despoluição do Rio Tiete”. Um assim denominado “esforço” que já dura mais de 20 anos.

Parece, entretanto, que para nossos líderes os bairros continuam a ser enxergados como simples palcos para a execução de suas vontades burocráticas. Mesmo após mais de tres anos, no local, ainda não foram garantidos pontos de iluminação que possibilitassem o mínimo de segurança aos moradores. Mesmo com o desvio de rota de algumas linhas de transporte da região a unica mudança desde o termino das obras na regioao foi o ponto de onibus que mesmo assim só chegou a alguns dias atrás.

Muitos moradores reclamam da falta de segurança no local. Mas a descontento de todos o poder público parece ser movido pela ganancia de criar obras de grande visibilidade e em excluir os mais interessados dos processos de decisão. Parece mais importante para quem está no poder manter a cidade como está, isto é, funcionando para uma elite que pode pagar por sua própria infra-estrutura.

Boletim Apoio Mútuo

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Ata da reunião da Apoio Mútuo do dia 10/02

Discussões:

- O que faremos no CC que achamos.
- Que deveriamos fazer coisas mais ativas e menos demoradas (já que trabalho de base demora).
- Foi apontado que deveriamos nos focar na transformação das relações humanas porque elas são opressivas.

Decidimos:
- Ir no CC e falar com o líder da parte cultural (Jerry e Paulo)
- Passar o filme Abula Grillo e fazer um debate em seguida.
- Antes de passarmos o filme irmos no local ajudar em algumas atividades, já conversando com as pessoas que frequentam.
- Jerry e Paulo ficaram de falar o dia que iremos passar o filme depois de conversar com o povo de lá.
- Fazer cartazes com fotos de eventos significativos que estão sendo deturpados pela mídia burguesa.

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A prática antes da teoria

Neste pouco tempo que seguimos tentando caminhar pelos bairros percebemos a importancia da ação como prática educativa. Cada local, cada espaço, cada debate, tem nos demonstrado resultados muito mais efetivos do que qualquer livro ou teoria que pudessemos aprender na escola. Por isso achei importante resgatar a estratégia da teoria a partir da prática e tentar livrarnos dos ânimos super otimistas de pessoas que acham que o futuro possa ser construido simplesmente unindo-se elementos da realidade num papel.

Acredito que o mais importante que deve ser ressaltado neste momento é a complexidade e imprevisíbilidade da dinâmica social. Isso não é visto durante nossas abstrações no mundo teórico, já que agimos de acordo com aquilo que achamos ser o mais provável de acontecer. Na prática, lidamos com uma situação real, concreta e com termos definidos o que torna as coisas muito mais fáceis. A cada resultado avançamos procurando então agir segundo o que obtivemos na situação anterior, entrando num ciclo de reflexão e ação.
 
O que torna dificil toda a prática é que não estamos acostumados a lidar com suas consequencias negativas. Toda ação resulta numa reação que pode ser totalmente diferente daquilo que planejamos, a reflexão então é cada vez mais exigida. Porém, o erro não faz parte da rotina de alienação na qual estamos acostumados. Em nosso dia-dia a base da pirâmide jamais toma decisões sobre os rumos de sua própria experiência, o que esperam da gente é eficiência e progresso porque o que uma burocracia mais teme é que os erros de seu funcionamento impossibilite-na de cumprir aquilo que deseja. É uma infantilidade pensar que as coisas sempre decorrerão como nós desejamos.

Numa organização horizontal e autogerida, a reflexão e o diálogo são fundamentos que devem ser ligados a capacidade de enxergarmos a realidade como um aglomerado de possibilidades. Estas, só devem ser consideradas como problemas quando demonstrarem-se incompatíveis com nosso objetivo geral, no nosso caso, a revolução social ou com princípios que escolhemos como o anti-capitalismo por exemplo. Estes últimos, devendo ser ampados pela demonstração de sua efetividade teorica e empirica.

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Ata da reunião da Apoio Mútuo do dia 21/01

Discutimos:
- Os problemas dos bairros em geral.
- As visitas aos centros comunitários e o porque da maioria deles estarem desativados ou serem transformados em Centros de Assistencia Social da prefeitura.
- Os problemas do bairro da Vila Bela Vista. A prefeitura usa a praça que antes abrigava familias em barracos para guardar os equipamentos, apesar de ter prometido que iria canalizar o córrego num panfleto que foi divulgado no bairro. A avenida nova foi feita em muito pouco tempo para atingir esse interesse da prefeitura. Isso é demonstrado pela falta de interesse deles em colocarem luz na avenida. É de interesse deles não tratarem o córrego porque isso passaria por cima de toda a burocracia.
- A rua da padaria tem mão-dupla apesar de ser estreita para passar só um carro. A calçada está quebrada por isso.
- Estarmos atentos para quando os candidatos dos partidos visitarem os bairros em ano de eleição.
- Há esperas de 3hs no Hospital da Vila Nova Cachoeirinha.
- Que deveriamos buscar eficiência e não quantidade, porque não temos perna e porque só qdo tivermos algo como uma crise poderemos ter maior participação com um real comprometimento.

Decidimos:
- Adotar o seguinte método para ampliar os problemas dos bairros: Ver quem é o órgão e o responsável pelas decisões que deveriam solucionar o problema, dai pressioná-lo para saber o porque não solucionou-o. É provavel que um empurre a culpa para o outro então acabemos vendo como culpados os altos escalões do governo.
- Ir no centro comunitário do Pery ver como é. (dia 22/01 – domingo)
- Arranjar escola para servir de local para um centro comunitário da Vila Bela Vista que fundariamos. (25/01 – quarta já que nas subprefeituras ninguem trabalha de sexta e segunda).
- Reconhecer os problemas do entorno do centro de alguma forma que precisamos decidir. Deram a idéia de fazer uma pesquisa porta-a-porta.

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Ata da reunião da Apoio Mútuo do dia 07/01

Discussões:

- Discutimos se iriamos entender o coletivo como um movimento ou uma entidade que participa de movimentos.
- Discutimos a viabilidade de incentivar as pessoas dos bairros a “lutarem pelos seus direitos”
- Cada um apresentou o que entendia como o objetivo do coletivo e colocamos isso em propostas, 5 ao todo. Procuramos então conciliar as propostas de forma que todos estivessem 100% satisfeitos. Dificuldades foram encontradas para fazer isso, mas um resultado satisfatório pra todos foi alcançado.

Decidimos:

- Ir nos centros comunitários (lista em DOC nesta comnunidade) até o dia 21 (willian, pamela, paulo e karol). Agente mesclou o objetivo com a estratégia e ficou assim:

a) Apartir dos problemas que os moradores já combatem e sentem, ampliar lutas para um contexto maior, através da ARTE (Jerry principal responsável) e por meio de um JORNAL (Pamela principal responsável).
b) Incentivar a autonomia através do boicote à real causa do problema que é sentido (ex: buraco na rua, ausência de identificação entre o poder político e a população)
c) Incentivar ASSEMBLÉIAS (Dileo, principal responsável) como forma de decisões grupais (amplia-las se já existirem).

Diretrizes adotadas:
- NÃO vamos solucionar os problemas comunitários como buracos, abastecimento de água, entre outros, porque entemos estes como sintomas de um problema que realmente deve ser resolvido. Isso não significa que não estejamos em suas lutas, só que não iremos pegar uma enxada e sair resolvendo tudo que eles consideram como problemas. Nossa principal função é ampliar os objetivos destas lutas (de um tapa-buraco à uma mudança na estrutura das decisões políticas, p. ex.).
- Ficar atentos para o sentimento de “invasão” nossa no bairro.
- Ter total transparência quando formos fazer atividades no bairro de quem somos e qual a proposta.
- Todos que fizerem algo devem trazer para o coletivo dar um ok. Não é obrigatório aceitar as mudanças que o coletivo propôs, mas deve-se buscar um consenso.

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Construir o socialismo libertário

O texto a seguir foi retirado do site da F0ndation Besnard e é parte do livro “Outra Política, Outra Economia: federalismo e autogestão” que está sendo escrito pelo autor.

 Autogestão e Federalismo Hoje (Felipe Côrrea)

“A autogestão supõe a abolição da propriedade privada ou de Estado dos instrumentos de produção e sua transferência aos trabalhadores que têm a ‘posse’ desses instrumentos, que eles transmitem quando deixam a empresa aos que lhes sucedem.” Maurice Joyeux

Aspectos Construtivos do Socialismo Libertário

Uma reflexão atual sobre autogestão e federalismo deve, certamente, levar em conta o fardo carregado pelos anarquistas há anos, que são acusados de criticar e acusar, mas de pouco propor e construir. A afirmação tem certa base, visto que parte dos anarquistas dedicou-se mais em fundamentar sua crítica sobre o princípio da autoridade e da exploração, do que desenvolver os aspectos construtivos libertários.

O próprio termo anarquia, do grego an(a) “sem” e arkh(os) “governo/autoridade”, trabalha com um conceito de negação – neste caso do princípio do governo e da autoridade – e não de construção.

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II Mostra de Video na RUA (05/06)

A rede Apoio Mútuo em conjunto com o coletivo Arte Libertária realizou, neste fim de semana (05/06), uma ocupação cultural na Vila Cisper, em favor da liberdade das idéias e em virtude da mobilização nacional contra a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana. Desde as 10 horas da manhã, entre pipas, o futebol do terreno vizinho e contra as vontades da senhora dona da rua, um dos murros do CDHU já começava a ser pintado com as cores do muralismo libertário.

A Vila Cisper, que integra o conjunto de comunidades próximas a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, na zona leste, é uma comunidade que se construiu do lado de cá dos murros da fábrica de vidros da multinacional Owen-Illinois, dona da marca Cisper. Nas muitas vielas e becos habitam nos fins de semana a frente de suas casas e nas ruas centrais moradores e moradoras, entre pipas, fofocas e bolinhas de gude.

No fim da tarde com o mural em andamento os moradores já davam as saudações aos muralistas e os parabenizavam pela iniciativa. Finalizado, no murro de uma singela viela, o mural deixou as inscrições em favor das comunidades indígenas, mas que vale para todos neste momento de revolução cultural “os filhos da terra não querem invasores” e “liberdade aos presos politicos”.

Com a noite, foi erguida uma tela de quase quatro metros sobre o murro da fábrica, um ato simbolico de rebeldia. Foram projetados videos e imagens sobre os movimentos de luta contra o aumento, documentários sobre a mídia brasileira e sobre a Usina de Belo Monstro. Em conjunto com as reportagens da mídia comercial, o objetivo foi demonstrar a grande diferença existente entre a mídia privada e aquela não corporativa.

Os moradores participaram timidamente, saindo as suas portas, e se revezando entrando e saindo de suas casas, um deles desceu e assistiu o video de perto na calçada. É importante ressaltar que esta não foi uma atividade pontual e passageira, outras atividades serão construidas no local, que como esta, serão organizadas em conjunto com pessoas que vivem na comunidade.

Wiki-Blog da rede Apoio Mútuo: http://apoiomutuo.wikia.com/

Blog do coletivo Arte Libertária: http://artelibertaria.wordpress.com/

Estendendo a tela 
Vizinhos tímidos O filmeVizinhos saindo
 
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